quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Fernando Pessoa, no Livro do ''Desassossego''



‎"Minha alma é uma orquestra oculta
não sei que instrumentos
tangem e rangem, cordas e harpas
timbales e tambores, dentro de mim
Só me conheço como sinfonia."

Fernando Pessoa

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Cora Coralina, trecho do poema: Quem É Você?



Sou mais doceira e cozinheira

do que escritora, sendo a culinária
a mais nobre de todas as Artes:
objetiva, concreta, jamais abstrata
a que está ligada à vida e
à saúde humana.

Cora Carolina



''Dialética'' - Vinícius de Moraes



''É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...
''

Vinícius de Moraes

''Um Rio Nasceu'' - Vinícius de Moraes



''O rio
Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.
Um rio nasceu.
''

Vinícius de Moraes

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

''Cola- Tudo'' - Flora Figueiredo


''Encontrei um verso fraturado,

caído na esquina da rua do lado,
Tinha se perdido de um coração saudoso


que passava por ali, desiludido.


Coloquei-o de pé,
emendei seus pedaços,
refiz suas linhas,
retoquei seus traços.



Afaguei suas dores como se fossem minhas.
Agora, novamente estruturado,
espero que ele não olhe para trás
e não misture sonhos
com amargas falências do passado;



que saiba enfeitar a estrela lá na frente
com fartos laços de rima colorida.
pois é para o futuro que caminham
todos os passos apressados desta vida.'
'


Flora Figueiredo

Manoel de Barros



Para entender nós temos dois caminhos:
[o da sensibilidade que é o entendimento
do corpo;
e o da inteligência que é o entendimento
do espírito.
Eu escrevo com o corpo.
Poesia não é para compreender,
[mas para incorporar.
Entender é parede; procure ser árvore.

Manoel de Barros

''Anfiguri'' - Vinícius de Moraes



''Aquilo que eu ouso
Não é o que quero
Eu quero o repouso
Do que não espero.

Não quero o que tenho
Pelo que custou
Não sei de onde venho
Sei para onde vou.

Homem, sou a fera
Poeta, sou um louco
Amante, sou pai.

Vida, quem me dera...
Amor, dura pouco...
Poesia, ai!...''

Vinícius de Moraes

'Solidão'' - Mia Couto



''Aproximo-me da noite 
o silêncio abre os seus panos escuros 
e as coisas escorrem 
por óleo frio e espesso 

Esta deveria ser a hora 
em que me recolheria 
como um poente 
no bater do teu peito 
mas a solidão 
entra pelos meus vidros 
e nas suas enlutadas mãos 
solto o meu delírio 

É então que surges 
com teus passos de menina 
os teus sonhos arrumados 
como duas tranças nas tuas costas 
guiando-me por corredores infinitos 
e regressando aos espelhos 
onde a vida te encarou 

Mas os ruídos da noite 
trazem a sua esponja silenciosa 
e sem luz e sem tinta 
o meu sonho resigna 

Longe 
os homens afundam-se 
com o caju que fermenta 
e a onda da madrugada 
demora-se de encontro 
às rochas do tempo''

Mia Couto