quinta-feira, 8 de novembro de 2012

''A Curva dos Teus Olhos'' - Paul Eluard

''A curva dos teus olhos dá a volta ao meu peito 
É uma dança de roda e de doçura. 

Berço noturno e auréola do tempo, 
Se já não sei tudo o que vivi 

É que os teus olhos não me viram sempre. 



Folhas do dia e musgos do orvalho, 
Hastes de brisas, sorrisos de perfume, 
Asas de luz cobrindo o mundo inteiro, 
Barcos de céu e barcos do mar, 
Caçadores dos sons e nascentes das cores. 



Perfume esparso de um manancial de auroras 
Abandonado sobre a palha dos astros, 
Como o dia depende da inocência 
O mundo inteiro depende dos teus olhos 

E todo o meu sangue corre no teu olhar.''

Paul Eluard

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