sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Grandes Biografias - Augusto dos Anjos


  Vês?! Ninguém assistiu ao formidável/ Enterro de tua última quimera./ Somente a ingratidão - esta pantera -/ Foi tua companheira inseparável!" Morte dos sonhos, solidão e pessimismo são algumas das marcas da poesia de Augusto dos Anjos que - mesmo beirando o mau gosto muitas vezes - é um dos poetas mais originais da literatura brasileira.
  Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no engenho Pau d'Arco, Paraíba. De uma família de donos de engenhos, assistiu à decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas. Seu pai, bacharel, foi quem lhe ensinou as primeiras letras. Quando estava no curso secundário, Augusto começou a mostrar uma saúde delicada e um sistema nervoso abalado.
  Em 1903, iniciou os estudos na Faculdade de Direito do Recife onde teve contato com o trabalho "A Poesia Científica", do professor Martins Junior. Formado em 1907, preferiu não advogar e ensinar português. Casou-se, em 4 de julho de 1910, com Ester Fialho.
  No mesmo ano, em conseqüência de desentendimento com o governador, foi afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano, onde havia estudado. Resolveu então se mudar para o Rio de Janeiro, onde exerceu durante algum tempo o magistério. Lecionou geografia na Escola Normal, depois Instituto de   Educação, e no Ginásio Nacional, depois Colégio Pedro II, sem conseguir ser efetivado como professor.   Em 1911, morreu prematuramente seu primeiro filho.
  Em fins de 1913 transferiu-se para Leopoldina, MG, por ter sido nomeado para o cargo de diretor de um grupo escolar. Morreu nessa cidade, vitimado pela pneumonia, com pouco mais de trinta anos. Ainda jovem, os sofrimentos físicos tinham-lhe dado um aspecto senil.
  Quase toda a sua obra poética está no seu único livro "Eu", publicado em 1912. Apesar de praticamente ignorado a princípio, pelo público e pela crítica, a partir de 1919 o livro foi constantemente reeditado como "Eu e outros poemas".
  Escrito em um momento de transição, pouco antes da virada modernista de 22, sua obra representa o sincretismo entre o parnasianismo e o simbolismo. No livro, Augusto dos Anjos faz da obsessão com o próprio "eu", o centro do seu pensamento. O egoísmo e angústia estão presentes ("Ai! Um urubu pousou na minha sorte"); assim como o ceticismo em relação ao amor ("Não sou capaz de amar mulher alguma, / Nem há mulher talvez capaz de amar-me").
  O poeta aspira à morte e à anulação de sua pessoa, reduzindo a vida a combinações de elementos químicos, físicos e biológicos ("Eu, filho do carbono e do amoníaco,"). Tal materialismo o tornava amargo e pessimista ("Tome, doutor, essa tesoura e corte/ Minha singularíssima pessoa"). Contrapõe-se a inapetência para o prazer e um desejo de conhecer outros mundos, onde a força dos instintos não cerceie os vôos da alma ("Quero, arrancado das prisões carnais,/ Viver na luz dos astros imortais").



Datas:


1884: No Engenho Pau d'Arco, hoje município de Sapé, Estado da Paraíba, a 20 de Abril nasce Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos , terceiro filho de Alexandre Rodrigues dos Anjos e D. Córdula de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Sinhá Mocinha). Augusto e os irmãos receberão do pai a instrução primária e secundária. 
1900: Augusto ingressa no Liceu Paraibano; compõe o seu primeiro soneto, "Saudade". 
1901: Publica um soneto no jornal O Comércio, no qual passará a colaborar. 
1903: Inscreve-se na Faculdade de Direito da cidade de Recife. 
1905: Morte do Dr. Alexandre, pai do poeta. A propósito, Augusto escreve e publica em O Comércio três sonetos que farão parte do EU, livro futuro. Inicia a "Crônica paudarquense" e participa em duas polêmicas. 
1906: Publica no Jornal O Comércio o seu poema mais conhecido, "Versos íntimos" 
1907: Conclui o curso de Direito. 
1908: Transfere-se para a capital da Paraíba, onde dá aulas particulares. Colabora no jornal Nonevar e na revista Terra Natal. Morre Aprígio Pessoa de Melo, padrasto de sua mãe e patriarca da família, deixando o Engenho em grave situação financeira. Augusto leciona no Instituto Maciel Pinheiro. É nomeado professor do Liceu Paraibano. 
1909: Em A União publica "Budismo moderno" e numerosos poemas. Profere, no Teatro Santa Rosa, um discurso nas comemorações do 13 de maio, chocando a platéia por seu léxico incompreensível e bizarro. Abandona o Instituto Maciel Pinheiro. 
1910: Publica em A União "Mistério de um fósforo" e "Noite de um visionário". Casa-se com Ester Fialho. Continua a colaborar no Nonevar. Sua família vende o Engenho Pau d'Arco. Sem conseguir licenciar-se, demite-se do Liceu Paraibano e embarca com a mulher para o Rio de Janeiro. Hospeda-se em uma pensão no Largo do Machado, mudando-se em seguida para a Avenida Central. Termina o ano sem conseguir um emprego. 
1911: Ester, grávida de seis meses, perde a criança. Augusto é nomeado professor de Geografia, Corografia e Cosmografia no Ginásio Nacional (atual Colégio Pedro II). Nasce sua filha Glória. Muda constantemente de residência. 
1912: Colabora no jornal O Estado, dá aulas na Escola Normal. Augusto e o seu irmão Odilon custeiam a impressão de 1.000 exemplares do EU, livro recebido com estranheza por parte da crítica, que oscila entre o entusiasmo e a repulsa. 
1913: Nascimento do filho Guilherme Augusto. Continua lecionando em estabelecimentos diversos. 
1914: Publica "O lamento das coisas" na Gazeta de Leopoldina, dirigida pelo seu concunhado Rômulo Pacheco. É nomeado diretor do Grupo Escolar de Leopoldina, para onde se transfere. Doente desde 30 de outubro, falece às 4 horas da madrugada de 12 de novembro, de pneumonia. 
1920: Com organização e prefácio de Orris Soares, é publicada pela Imprensa Oficial da Paraíba a 2ª edição do EU 
1928: Lançamento da 3ª edição de suas poesias, pela Livraria Castilho, do Rio de Janeiro, com extraordinário sucesso de público e de crítica. 

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